A dona de casa relapsa
E de volta com a seção...
... a dona de casa relapsa
Episódio: sobre a falta de papel-toalha
Prólogo
Morro de medo de fazer fritura de imersão. Tipo batata frita, sabe. Como na rua, mas não faço em casa. Tenho medo de que o óleo espirre nos meus olhos, sei lá. Bom. Semana passada, no almoço, resolvi fazer risoto e abobrinha sauté, e assar um steak de frango da Sadia. Tudo bem encaminhado com o risoto e a abobrinha, liguei o forno para assar o steak. Foi aí que pensei:
Eu (pensando): Por que não frito? Vai ficar MUITO mais gostoso. Eu sou capaz de fritar alguma coisa, não sou? Eu posso perder esse medo, não posso?
Com meus olhos devidamente cobertos pelos meus óculos escuros, peguei duas xícaras de óleo e coloquei na panela. Liguei o fogo.
Tremendo.
No fim, o steak ficou uma delícia, bem crocante. MAS não sei se compensa o medo que tenho e a bizarrice de cozinhar de óculos escuros. A parte que mais me marcou foi quando o óleo continuou borbulhando depois que desliguei o fogo, sabe. Por vários segundos. Aquilo assusta qualquer um.
Mas vamos ao assunto-título:
... a falta do papel toalha
Na hora em que vi que o steak estava pronto, fui procurar papel-toalha para deixá-lo bem sequinho, sem aquele óleo escorrendo. Para meu desgosto, o papel tinha acabado. Não era justo. Depois de superar todo aquele medo, minha fritura tinha que ficar perfeita! Crocante e sequinha!
Então, lembrei que (me expondo bastante aqui), quando esquecemos de comprar papel higiênico lá em casa, substituímos por papel-toalha.
E pensei: por que não fazer o mesmo, mas ao contrário?
E lá fui eu secar meu steak com papel higiênico.
Pensando bem, qual é o problema de usar na cozinha algo que tem “higiênico” no nome, certo? Achei bem apropriado.
Foi só tomar o cuidado de não pegar o papel com aroma de flores-do-campo, claro.
Escrito por Liliane Prata às 11h43
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Relacionamentos e Google Map
Sobre o vício do meu namorado...
... pelo Google Map. Ele, agora, tem um blackberry – embora eu prefira o termo “um desses celulares que fazem tudo e mais alguma coisa". No “mais alguma coisa”, entram o acesso à internet e o GPS. Bom. O vício dele começou inofensivo: quando nos perdíamos ao procurar algum endereço, de carro, ele consultava, todo serelepe, o aparelho.
Mas, agora, ele se perde PARA consultar o aparelho.
Me dei conta disso quando percebi que a gente passou a se perder muito mais. Antes, quando tínhamos um evento em um endereço desconhecido, imprimíamos a rota no apontador e íamos. Agora, ele pergunta para o dono da festa mais ou menos como a gente chega, dá um sorriso e diz: “Google Map estará com a gente, uhu!”
Mas o ápice do vício foi hoje de manhã.
Estávamos nos arrumando para almoçar com a família dele. Eu, já pegando a bolsa. Ele, descalço. Com o celular na mão, claro.
Eu: VAMOS? Ele: um minuto, por favor.
Silêncio. Eu detesto ser chata, sabe. Então, fiz minha melhor voz meiga e:
Eu: o que você está fazendo com o celular, meu amor? Ele: er... Eu (piscando os olhos e sorrindo candidamente): hum?
Eu devia ter imaginado que ele chegaria a esse ponto.
Ele estava procurando a muralha da China no Google Map.
Claro, é o que eu faço todo domingo de manhã. Indispensável.
Nutro saudade do tempo em que – minha mãe me disse – a televisão distanciava os casais?
Ou compro um celular que faz mais do que efetuar ligações, me junto a ele e fico procurando, sei lá, o Parthenon?
Escrito por Liliane Prata às 14h58
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Frilas e distâncias
Dia destes percebi como trabalhar como free-lancer (ou frila, para os íntimos) distancia você do mundo. Eu estava tomando um café com uma amiga, no domingo, quando:
Eu: amanhã tenho que fazer um monte de coisas no centro. Você não quer ir comigo? Amiga: (silêncio) Eu: preciso comprar umas coisas, preciso pegar um negócio no lugar tal... eu te pego de carro e almoçamos por lá, o que você acha? Amiga: não vai dar.
Eu: por quêêê? Amiga (suspirando): porque eu tenho que trabalhar, Lili. Como as pessoas geralmente fazem, entende.
Eu: ah.
Ai, ai.
Hora para chegar, hora para sair...
Como a gente se esquece rápido disso.
O próximo passo vai ser reclamar por que ela está indo embora tão cedo do bar... numa terça-feira.
(Aliás, hoje é terça e acabei de chegar de um bar – fui com essa mesma amiga –, mas eu que fiz questão de voltar cedo para casa. Frila não tem horário, mas trabalha, né!).
P.S.: e dorme também. Já estou morrendo de sono. Mas postei. Postei!!! P.P.S: ainda bem que tenho o Bruno, meu amigo humorista. Ele tem um horário flexível, que nem eu. Hoje mesmo, antes de ir para o bar com minha amiga, fui ao Frans (sim, a gente freqüenta o Frans) com ele. P.P.P.S.: credo, Frans e depois bar. Agora que escrevi, percebi que não trabalhei nada hoje. Ainda bem que o Bruno também não. Aliás, ainda bem que tem essa minha amiga e meu namorado para emprestarem dinheiro para a gente, se precisar! P.P.P.P.S.: né? P.P.P. P.P.S.: novo vício líquido: chá preto. Praticamente aposentei o poético coador de nylon que meu pai me deu e tomo canecas e mais canecas de chá preto por dia.
Escrito por Liliane Prata às 23h01
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A quantidade correta de brigadeiros
De volta ao blog!
E com um caso que ocorreu estes dias.
E com a promessa de postar todos os dias esta semana.
Pensando bem, nem postei uma vez e já estou com promessas! Vamos ao post primeiro, que é sobre...
... a quantidade correta de brigadeiros
Fiquei gripadíssima estes dias. Como vocês sabem, confundo gripe com crise existencial e fiquei realmente mal. Bom. Para me mimar, meu cândido namorado, Marcos, levou dois gordinhos brigadeiros da Ofner para mim.
E eu adoro os gordinhos brigadeiros da Ofner.
Abri o pacotinho e exclamei, toda contente:
Eu: oba! Amo os brigadeiros de lá. E você acertou a quantidade: dois! Marcos: não é? Um para mim e um para você.
Silêncio. Ele não sabe que eu estava me referindo à quantidade ideal para UMA pessoa? Não que eu recusasse um terceiro, mas já constatei empiricamente que o primeiro e o segundo brigadeiro, quando gordinhos, são muito mais gostosos do que o terceiro.
Marcos, vendo a minha cara: estou brincando, Lili. São os dois para você.
Tão bom quando o namorado conhece a gente.
Agora, sim: post todo dia esta semana!
Escrito por Liliane Prata às 19h09
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Sobre o stand-up
Como vocês sabem (ou não), sábado passado reuni toda a minha coragem para ficar pouco mais de cinco minutos contando casos engraçados no palco do Teatro Tim, em Campinas. Detalhe: para 330 pessoas. Como vocês sabem (ou não) isso se chama humor stand-up e meu amigo Bruno Motta, que é humorista, foi quem me convenceu (duas vezes!!!) a participar do Open Mike – um quadro para pessoas que se acham engraçadinhas (e/ou que são empurradas pelos amigos) testarem seu talento como comediante.
Bom. O fato de eu não ter colocado o vídeo aqui já quer dizer alguma coisa, não?
a) Que eu não gostei da minha apresentação. b) Que eu passei mal e não consegui subir ao palco. c) Que esqueci minha câmera e o amigo do Bruno gravou com o celular dele, mas só por alguns segundos e não compensa colocar aqui.
Bem, a alternativa certa é C.
Mas só para deixar claro: eu não gostei da minha apresentação e passei mal ao subir ao palco.
Tudo bem, não é que eu não tenha gostado da minha apresentação, só achei OK. Melhorei da primeira para a segunda, mas nada comparado ao meu amigo Bruno, nem quando ele estava começando (eu conheço o Bruno há anos). Acho que não levo jeito pra coisa. Me dou melhor escrevendo, mesmo.
Ou não.
Enfim, aproveito para dar parabéns às pessoas que vivem enfrentando platéias, já que amanhã é o Dia do Artista de Teatro!
Eu continuo preferindo que 330 pessoas leiam um texto meu fora do meu campo de visão :-)
P.S.: Tudo certo na Bienal!
Escrito por Liliane Prata às 13h22
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Batatas e Bienal
Não é nojento, gente. Sério mesmo. Não é!
(Aos novatos no blog e aos desmemoriados: estou me referindo ao episódio das batatas do post anterior. Continuando).
A Anna, nos comentários, argumentou que alguém poderia ter escarrado nas batatas. Foi o mesmo argumento dado pelo meu namorado. A dúvida que fica é: por que diabos alguém escarraria numa porção de batata frita?
“Hum, acabei de comer. Quer saber? Agora vou escarrar nessas batatas que sobraram. Elas vão ver só!”
Um doce para quem já tiver ouvido essa frase.
Quanto aos resquícios de saliva nas batatas: as pessoas cospem na gente o tempo todo. No metrô, na faculdade, na rua, na chuva, na fazenda. Esse tipo de coisa dá significado para os nossos amigos ANTICORPOS. Contra doenças causadas pela saliva alheia, confie nos seus!
Ou não.
Enfim. O que eu queria dizer também é que sábado, às 18h30, estarei na Bienal, autografando no estande da editora Nobel. Dá uma passadinha lá!
Escrito por Liliane Prata às 13h47
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Restos mortais (ou simplesmente: comida fria dos outros)
Anteontem, fui almoçar com meu amigo Bruno.
Chegamos ao restaurante (ok, para ser sincera: chegamos ao misto de padaria/boteco perto das nossas casas) e sentamos. Na nossa mesa, os restos do casal que tinha acabado de sair. Chamamos o garçom. Nada. Gesticulamos. Acenamos. Gritamos. Nada. Cansados de esperar e com fome, resolvemos comer as batatas deixadas na mesa pelo feliz casal.
Foi só tirar gentilmente o guardanapo que estava em cima das batatas e pronto, elas estavam bem apetitosas. Apesar de geladas e murchas, claro.
A partir daí, esperamos o garçom com calma (ainda bem, porque ele demorou uns dez minutos e acabamos comendo praticamente todas as batatas).
O problema é: comentei o fato com 3 pessoas. Uma achou normal, outra achou um nojo e a terceira achou tão normal que me considerou uma fresca por ter cogitado, por alguns segundos, não comer as batatas.
Fiquei confusa.
Não costumo fazer enquetes, mas enfim: em que posição vocês se colocam?
P.S.: tá, às vezes eu faço enquetes.
Escrito por Liliane Prata às 17h46
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Alguns asteriscos aleatórios
* Antes da reforma do apartamento, eu pensava que tinha um bom domínio da língua portuguesa. Agora, vejo que meu vocabulário não abarcava várias palavras simples. Sifão. Guarnição de porta. Cuba de apoio. Cuba de semi-apoio. O que adianta eu saber explicar o argumento ontológico de São Tomás de Aquino se não sei o que é um sifão flexível?
* Tudo bem, eu não tenho certeza se consigo explicar o argumento ontológico de São Tomás de Aquino.
* Falando em filosofia, minhas aulas recomeçaram segunda.
* Ainda estou sem internet em casa. Mas isso será resolvido em breve. Ou não.
* No próximo sábado, participo de mais um quadro de stand-up comedy, dessa vez em Campinas. E dessa vez eu coloco no You Tube, juro!
* Tá, não juro nada.
* Provei os bolinhos de arroz do Mc Donald's. Muito estranho. O arroz é muito amassado. Detesto quando não consigo distinguir os grãos de arroz. Aliás, é por isso que inventaram aquele ditado, né? "Não confie no arroz que você não consegue ver".
* Tudo bem, tudo bem, acabei de inventar esse ditado.
Escrito por Liliane Prata às 15h38
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A incrível máquina
Como vocês sabem (ou não), daqui a alguns dias volto a morar sozinha (estou morando com duas amigas há dois anos) e hoje fui lá no apartamento ver como estava o trabalho dos pintores (sem mais parênteses daqui em diante, juro). Tinha um pintor e dois assistentes.
Bom. Eu queria puxar assunto, mas nada do que eu falava rendia. Contei lá do mico de falar para uma platéia lotada – vide post anterior. Viu? Sem parêntese – e nada. Falei do tempo, de hoje ser sexta-feira, de um filme que vi, comentei alguma notícia do jornal que eu estava lendo e nada.
Aí, numa determinada hora, um dos assistentes pegou uma máquina incrível, ligou e começou a usá-la, fazendo um barulhão. Querendo ser simpática e manifestar interesse, eu:
Eu: Nossa! Para que serve essa máquina? Ele (me olhando de cima a baixo): É só um aspirador de pó.
Ai, ai.
É que eu nunca uso aspirador, sabe. Acho mais poético usar vassoura. É isso.
Ah, mas no final deu tudo certo. Se eu soubesse que era só comentar em voz alta a tabela dos jogos da série B que eu estava lendo no jornal e pronunciar a palavra “Corinthians”...
Conversamos por um tempão e perdi a hora.
(Me fizeram até cantar o hino, quando eu falei que sabia!)
Sim, sim, o parêntese escapou. Parêntese danadinho.
Bom fim de semana a todos!
Escrito por Liliane Prata às 14h30
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Uma idéia peculiar (ou: Por que não dar um tiro no pé?)
Duas semanas atrás. Era um dia normal. Até que o Bruno Motta, meu amigo-humorista, vira para mim e:
Bruno: por que você não apresenta um quadro como humorista stand up? Eu: Hã? Bruno: por que você não... Eu: eu escutei. Mas será? Bruno: é, ué. Eu: Hum... tá bom.
E então lá estava eu, no sábado, no Teatro Folha, na frente de uma platéia de 300 pessoas.
Contando piadas.
Por 8 minutos. | Quando eu me recuperar, volto aqui.
P.S.: estou sem internet em casa há mais de uma semana. Por isso o sumiço! Semana que vem, tudo volta ao normal. Ou não. P.P.S.: Tudo bem que o sumiço por vinte dias, mas enfim... Estou de volta!
Escrito por Liliane Prata às 19h41
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Quatro aprendizados complexos
Uma vez, li numa matéria de uma revista que, quando temos medo de não conseguir alguma coisa, é legal pensarmos em algo difícil que conquistamos – algo que tínhamos sérias dúvidas sobre a nossa capacidade de alcançar, mas que, pimba, alcançamos.
Eu poderia falar de coisas mais recentes aqui, mas não adianta. Assim que li a matéria, só consegui pensar em quatro coisas que eu tinha certeza que não conseguiria. E, hoje, sem querer ser chata nem nada, eu DOMINO essas quatro coisas. Vamos a elas...
.... decorar o alfabeto
Quando eu tinha seis anos, aprendi a ler. Beleza. Mas, nos últimos dias do ano letivo, minha professora falou que, agora que já tínhamos aprendido as letras, tínhamos que DECORAR a ordem delas. E começou: “A, b, c, d...”. Lembro direitinho do meu desespero. Pensei que a professora estava louca e que era simplesmente impossível decorar aquilo. A maior decepção do dia foi quando perguntei ao meu irmão, quatro anos mais velho que eu, se ele sabia o alfabeto de cor, e ele fez “pfff” e começou a falar: “a, b, c, d, e, f, g...”. Pedante.
... amarrar o cadarço Fui uma das últimas da classe a aprender. Meu pai me ensinava mil vezes, mas eu me lembro direitinho que parecia ser impossíííível. Ficava irritada e chorava. Se você quisesse abalar minha auto-estima e me humilhar profundamente há 22 anos, era só amarrar o cadarço do seu tênis na minha frente.
... distinguir direita e esquerda Eu tinha sete anos quando a professora ensinou isso. Numa posição específica, eu dominaaava onde era direita e onde era esquerda. Mas era só mudar de posição que meu mundo caía. Quando cheguei em casa chorando, desesperada, minha mãe disse: “Bobinha, direita é tudo o que está ao lado da mão que você usa para escrever.” Amo minha mãe.
... aprender a tabuada Principalmente a do 8 e a do 9. Eu ficava bem impaciente quando errava, tive medo de repetir de ano e achava que aquilo era uma das maiores dificuldades da Terra.
Hoje, para o bem da minha auto-estima e da minha confiança nos atuais e futuros desafios da vida, sei essas quatro coisas muito bem.
Quer dizer, eu detesto calcular quem paga quanto no restaurante e, bem, continuo achando a tabuada do 8 e do 9 as mais enjoadas, mas enfim.
Escrito por Liliane Prata às 22h46
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Aniversário de casamento (ou: um post em que me exponho bastante, mas tudo bem)
Uma amiga minha completou 10 anos de relacionamento, 6 de namoro e 4 de casamento.
E aí percebi que estou prestes a completar 12 anos de relacionamento. 12!!!
Com pessoas diferentes, claro.
Nestes 12 anos de convivência, aprendi muita coisa. Afinal, foram 7 namoros e 2 casamentos, um no papel e outro não.
Aproveito o aniversário para me declarar para meu atual namorado, o Marcos, que me faz muito feliz. Aliás, ele também tem alguns anos para comemorar. Comigo, quase um. Espero que seja o primeiro de muitos. Te amo, viu?
Parabéns para mim!
Escrito por Liliane Prata às 11h06
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O mistério da framboesa
Semana passada, num simples jantar com meu namorado, fiz uma descoberta que marcou profundamente minha vida. Trata-se da solução para uma antiga dúvida minha, de que os leitores mais antigos vão lembrar.
Bom.
Antes de escolhermos o prato principal, resolvi pedir um suco. Perguntei quais eram as opções disponíveis, em vez de pedir logo o suco de morango que eu queria (eu sempre tomo ou Coca ou suco de morango, mas adoro saber que sucos o restaurante tem). Para meu desgosto, NÃO tinha meu amado suco de morango, mas o garçom me propôs suco de framboesa, que era tão vermelho quanto o suco de morango que eu queria, e aceitei.
(Ignore o fato de um lugar não ter suco de morango, mas ter de framboesa, e continuemos).
Pedi e comentei com meu namorado que eu nunca acreditei que framboesas existissem. Que já tomei suco de framboesa, calda de framboesa, sorvete de framboesa e iogurtes e tal de frutas vermelhas com framboesa no meio, mas eu nunca, nunca tinha VISTO uma framboesa na minha frente, assim como já vi, digamos, morangos. Mesmo no supermercado: tem toda uma gama de alimentos feitos com framboesa, e até framboesa congelada ou em polpa para sucos, mas framboesa-framboeeeesa, não. Por isso, sempre considerei framboesa uma coisa meio fake, tipo um Chester do mundo das frutas.
Bom. Mas eis que meu namorado resolveu chamar o garçom e pimba: pediu que ele trouxesse algumas framboesas da cozinha.
Estava lançado o desafio.
Aguardei alguns minutos ansiosamente.
De repente, chega o garçom com um potinho na mão: era a framboesa.
Olhei para a framboesa, ela olhou para mim, e o meu namorado e o garçom olharam para mim, esperando minha reação.
Eu: Ah.
Descobri, nesse dia, que algumas soluções de dúvidas não têm o desfecho que merecem. Não sei se eu estava preparada para ver uma framboesa, sinceramente. Essa dúvida me acompanhava há tantos anos. Éramos amigas, eu e a dúvida. E, agora, eu virei uma pessoa que acredita em framboesas.
Aprendi que mais vale uma framboesa na minha cabeça do que duas com o garçom.
Ainda bem que eu continuo não acreditando naquela fruta da propaganda da Amarula, a “Marula”.
Escrito por Liliane Prata às 21h33
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Dia de redação
Quando eu estava na escola, adorava o dia de redação. A professora escrevia um tema no quadro, eu olhava para a janela, me concentrava até ter uma idéia e escrevia.
Às vezes, o tema era algo do tipo “Amizade”. Outras vezes, era do tipo “A desigualdade no Brasil”. Tinha também o tema livre. Eu adorava alguns temas e detestava outros, mas agora, pensando, vejo que, por pior que fosse o tema, sempre dava para fazer uma redação pelo menos mediana com ele.
Bom.
Ontem, com 27 anos e na minha segunda graduação, Filosofia, tive um dia de redação.
Enquanto o professor explicava algumas coisas, eu viajei, pensando há quanto tempo não escrevia uma redação na sala de aula. A janela. O relógio. A expectativa.
Aí, ele escreveu no quadro o título que a redação deveria ter.
“A concepção logicista do número natural”.
Suspirei, fiquei lá consultando meus livros e escrevi, mas já vou avisando: nenhuma redação com esse título pode sair muito boa.
Escrito por Liliane Prata às 10h45
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Sobre metades (ou: sobre como as pessoas criticam o macarrão alheio em vez de olharem para seu próprio bombom)
Alguns minutos atrás, me bateu aquela fominha. Abri o armário da cozinha, para pegar biscoitos, maaas qual não foi a minha surpresa ao ver pacotes de Miojo. Fazia meses, talvez ANOS que eu não comia Miojo. Fervi a água e joguei, toda emocionada, meio Miojo lá dentro.
MEIO Miojo. Esse foi todo o problema.
A Débora, que mora comigo e presenciou a cena, ficou chocada por eu ter cortado ao meio um, digamos, retângulo de Miojo. Disse que Miojo não se parte e tal, e perguntou como eu ia fazer com o tempero. Claro, meio pacotinho de tempero, né? Enfim. Eu até entenderia o estranhamento dela, já que a idéia do fabricante deve ser mesmo que a pessoa faça o pacote inteiro, mas o ponto é: a Débora é a única pessoa que eu conheço que come meio Sonho de Valsa.
MEIO Sonho de Valsa.
Aí ela embrulha a metade restante e, quando dá vontade, come.
Ela me disse, claro, que não é nada estranho comer meio Sonho de Valsa. E eu disse que colocaria a polêmica aqui. Apostamos Sonhos de Valsa e Miojos. Votem na metade mais estranha das duas, por favor!
Escrito por Liliane Prata às 20h30
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